Quem sou

Uma trajetória sobre caber, recomeçar e voltar inteira.

A visão de liderança que sustento hoje não nasceu de um cargo. Nasceu da combinação — nem sempre confortável — entre carreira, estudo e vida.

Passei muitos anos acreditando que amadurecer era aprender a caber.
Retrato de Georgia Herrera

Cresci profissionalmente dentro da área da saúde. Foram mais de vinte anos assumindo responsabilidades cada vez maiores — equipes, operações, transformação organizacional. Hoje ocupo uma posição executiva, mas a forma como enxergo liderança foi construída muito antes do cargo.

Sou farmacêutica com MBA em Gestão, Inovação e Serviços de Saúde. A ciência me deu método. A gestão me deu escala. O que me manteve em movimento foi outra coisa: uma curiosidade insistente sobre o que faz, de fato, um grupo de pessoas prosperar em conjunto.

Decisões técnicas raramente são apenas técnicas. Passam por hierarquias, medos, silêncios. Foi essa percepção — repetida em contextos muito diferentes — que me aproximou do estudo do comportamento humano aplicado à liderança.

Nenhuma conquista compensa quando exige que a gente deixe de ser quem é.

Em paralelo à carreira, precisei reconstruir partes importantes da minha própria vida. Não cabe aqui contar quais. Cabe reconhecer que existiram — e que moldaram, em silêncio, a forma como entendo hoje o que é liderar.

Foi ali, mais do que em qualquer curso ou promoção, que percebi uma coisa simples e desconfortável: existe um custo invisível em toda conquista que exige que a gente se encolha para permanecer no lugar. Não no trabalho. Não nos relacionamentos. Não na liderança.

Deixei de tentar caber. Passei a observar, com menos pressa, o que acontecia à minha volta quando as pessoas podiam, enfim, aparecer inteiras.

Foi assim que cheguei à visão que sustento hoje. Liderar não é controlar pessoas. É construir ambientes em que elas não precisem deixar de ser quem são para contribuir. Onde divergir seja seguro, pensar em voz alta seja bem-vindo e desempenho não seja o oposto de humanidade.

É disso que trata a liderança consciente, do jeito que a entendo: menos performance de autoridade, mais responsabilidade sobre o clima que se cria.

Meu trabalho, hoje, é traduzir ciência, comportamento humano e mais de duas décadas de prática executiva em ideias aplicáveis para líderes que querem construir culturas de confiança, aprendizagem e alta performance.

Talvez a pergunta mais honesta que um líder possa fazer não seja como fazer as pessoas entregarem mais,mas o quanto elas ainda precisam se encolher para permanecer ao seu lado.

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Se esta forma de pensar liderança faz sentido para você, é aqui que ela ganha forma.