Liderança Consciente
Quem você contrata também constrói a sua cultura
A entrevista é uma fotografia. O comportamento é o filme.
Assista ao vídeo que originou esta reflexão · 0:45. O texto abaixo aprofunda o tema com evidências e aplicações práticas.
Uma contratação parece simples quando a gente olha apenas para o currículo: experiência, conhecimento técnico, resultados anteriores.
Mas contratar alguém também é colocar um determinado comportamento dentro de uma equipe.
E é aí que a entrevista começa a ficar mais complexa.
Em 30 minutos, você está vendo uma pessoa em uma situação muito específica: a de estar sendo avaliada. Ela pode estar nervosa, muito preparada ou simplesmente ser boa em se apresentar. Por isso, nenhum gesto isolado — contato visual, sorriso, postura, nervosismo — deve ser tratado como prova de caráter ou de mentira.
O que importa é buscar evidências comportamentais e observar convergências.
O que a pessoa diz sobre si.
O exemplo concreto que consegue dar.
Como reage quando é questionada ou contrariada.
Como escuta quando outra pessoa fala.
Como trata quem não tem poder naquela situação.
E se aquilo que diz valorizar aparece, de fato, nas histórias que conta e nas escolhas que descreve.
Não é procurar um “sinal” de que alguém é bom, ruim ou tóxico. É tentar reduzir a distância entre a imagem que a pessoa apresenta e o comportamento que o trabalho vai exigir dela.
E mesmo assim, uma entrevista não resolve tudo.
Eu já fazia entrevistas comportamentais, observava a interação e procurava entender valores. Ainda assim, recentemente errei uma contratação.
O problema ficou mais evidente depois. Observando o comportamento e, principalmente, ouvindo o impacto daquela pessoa na equipe, comecei a enxergar um padrão que não tinha conseguido ver na entrevista.
Foi uma lembrança importante: a contratação não encerra a avaliação. Ela inicia uma nova etapa de observação.
Por isso, depois da entrada, também é responsabilidade da liderança alinhar expectativas, acompanhar os primeiros meses, ouvir a equipe, dar feedback e agir quando o comportamento não está produzindo o ambiente que a organização precisa.
Uma pessoa pode entregar resultados individuais e, ao mesmo tempo, produzir um impacto negativo na capacidade coletiva de trabalhar, questionar e confiar.
É por isso que contratar comportamento não significa acreditar que conseguimos conhecer alguém em 30 minutos. Significa construir uma decisão com mais de uma evidência — e continuar observando depois da contratação.
A entrevista é uma fotografia.
O comportamento é o filme.
E talvez a pergunta mais importante não seja “Eu gostei dessa pessoa?”.
Seja:
“O que eu ainda não consegui observar?”
Quando você contrata alguém, está escolhendo apenas quem pode entregar o trabalho — ou também quem vai ajudar a construir o ambiente em que esse trabalho acontece?
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